|
o
início
Embora tenha um ar de grande aventura o início de
um processo destes, é tudo menos uma aventura.
Começa-se pelo dimensionamento e conclui-se que o
ideal é um balão para duas pessoas, que envolva poucos meios
para a sua operação.
A seguir entra-se na fase dos cálculos. Em
Portugal, as temperaturas médias são elevadas, quando comparadas
com o resto da Europa, e o balão deve estar preparado para voar
com calor.
Durante cerca de um ano, vários elementos
desenvolvem vários cálculos para a definição do perfil do balão.
É uma fase aliciante, porque repleta de pequenas vitórias.
Vitórias matemáticas e ainda distantes do voo que ambicionamos.
Depois, chega o dia em que comunicamos à
autoridade aeronáutica a nossa intenção e submetemos o projecto,
a aprovação. Cerca de duas centenas de páginas são suficientes
para transmitir o que queremos fazer, como calculámos e como
vamos passar à execução.
Nada é fácil. Não há conhecimento profundo sobre
balões e têm de ser garantidas todas as condições de segurança.
Apesar de ser um experimental e de se destinar, apenas, a lazer
e desporto, irá voar e terá de cumprir com todas as normas
existentes.
A matrícula é atribuída e o nosso balão vai ser o
CS-XBA. CS porque é um registo português, X porque é
experimental, B porque é um balão e A porque é o primeiro.
Na fase seguinte, desenham-se painéis, gomos e
pormenores, ficando em condições de passar, para o tecido, os
elementos apurados.
Seguem-se sessões intermináveis de corte de
tecido e ligação, por costura, das centenas de peças produzidas,
até que o balão fica pronto.
Tem de ser cheio, verificado, medido e analisado.
Cada pormenor tem de ser registado, desde o comportamento ao
aumento de temperatura, até ao funcionamento da válvula.
Mais de um ano de trabalho aliciante e diferente
de tudo a que estamos habituados e chega o dia em que podemos
voar o balão.
É o primeiro voo do
primeiro balão nacional, depois de Bartolomeu de Gusmão.
|